segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Collonges - A minha experiência no seminário Adventista da França

Parte 1






O meu nome é Cristiano Sequeira. Sou natural de Portugal e tenho 26 anos de idade. O Alex estendeu-me o amável convite de partilhar convosco a minha experiência enquanto estudante de teologia no Seminário Adventista do Sétimo Dia de França, na vila de Collonges-sous-Salève, la Faculté Adventiste du Salève.



A minha experiência com o seminário começou muito antes de eu sequer imaginar lá estudar. A União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia, oferecia no meu tempo, aos membros que desejavam seguir um percurso académico em teologia e trabalho pastoral, a oportunidade de trabalharem junto de um pastor da União durante um período de um ano. Durante um desses períodos, comummente denominados de pré-estágio, eu e cinco colegas meus trabalhamos, desde Setembro de 2009 até Junho de 2010, com dois pastores da União Portuguesa e assistimo-los em tudo quanto eles fizeram. Portugal não possui o seu próprio seminário Adventista, como tal, este pré-estágio, é uma oportunidade tanto para a União conhecer melhor os seus possíveis futuros ministros, como também para estes avaliarem o seu chamado. Foi no contexto desse pré-estágio que eu ouvira falar pela primeira vez do seminário da França.

O pastor Jorge Machado, na altura o diretor ministerial da União, comentou em uma conversa com os meus colegas e comigo que “Collonges é uma escola que forma homens.” Existem outros seminários na Europa Ocidental, nomeadamente Espanha (Sagunto), Itália (Vila Aurora), Áustria (Bogenhofen), Alemanha (Friedensau) e Inglaterra (Newbold). Porém, um certo tradicionalismo do qual nenhum ministro ou leigo Português fala, mas que todos conhecem e aceitam, leva a esmagadora maioria dos interessados na carreira pastoral a ingressarem no seminário Francês. Em várias conversas com o pastor que acompanhara, Humberto Coimbra, percebi depressa que esse seminário tinha uma fama incrível na Europa Ocidental, até no continente inteiro e a nível mundial, como sendo um dos melhores. Não é por acaso que tantos pastores Europeus e de outras partes do mundo terminaram a sua formação lá, e os formadores da escola mantêm conexões fortes com a divisão Inter-Europeia, sediada não muito longe do campus, na Suíça. Não tive de escolher. Apesar da minha bilingue fluência em Alemão e Inglês, e facilidade em aprender Espanhol, nada apontava para outro seminário, senão aquele, cujo idioma eu só (mal) conhecia das aulas do ensino primário e médio.

E assim eu parti para França a dia 1 de Setembro de 2011. Fui prontamente acolhido por alguns estudantes Portugueses lá, que indicaram-me as minhas novas instalações no dormitório masculino les horizons (“os horizontes”).

Les horizons.

O campus situa-se ao pé do monte Salève. Eu costumava trabalhar com o jardineiro Joel na manutenção dos espaços verdes. Era um trabalho por vezes duro, especialmente no inverno, mas em geral pacífico e tranquilo. Eu sentia imenso gozo em manter a linda paisagem do campus verde, limpa e colorida. Um pouco por todo o campus eu plantava flores, cortava a relva ou limpava  os espaços de plantas indesejadas.


O monte Salève. O edifício no canto inferior esquerdo é a escola primária e secundaria Maurice-Tièche. No horizonte avista-se a igreja do campus.


Descendo pela rua Bottecreux, alcança-se em menos de dois minutos o edifício de ensino principal da faculdade, onde decorrem as aulas de teologia e também do Ifle (Institut de français langue étrangère, “Instituto de Francês Língua Estrangeira,”). Por detrás dele existe um acesso para a biblioteca Alfred Vaucher , onde também estão sediados outros departamentos, como o Centre de Recherche Ellen White (“Centro de Pesquisa Ellen White,” )

O edifício da faculdade, com les horizons no fundo, ao longo da rua Bottecreux.


Continuando a descer e atravessando a rua perpendicular que segue em direção à igreja do campus, alcança-se o edifício principal administrativo do campus, onde também existem algumas salas de aulas.

O edifício administrativo.


E finalmente, ao fim do caminho que passa pelo edifício administrativo chegamos ao dormitório feminino, la clarière (“a clareira”) perto da qual se situa também um edifício com habitações para famílias (le parc, “o parque,”) ao qual se encontra aglutinado o refeitório do campus.

Le parc (à esquerda) e o refeitório à direita. Le parc é o edifício mais antigo do campus.

La clarière.


O campus tem muito mais para se ver, como campos recreativos, mais edifícios habitacionais para famílias, um ginásio, uma escola de música e um atelier artístico e técnico, e claro, toda a natureza envolvente, a vila de Collonges-sous-Salève e o monte Salève. Já para não falar da grande cidade suíça de Genebra, a poucos minutos de carro no vale. Mas vou ficar-me pelo principal, por enquanto. Na próxima entrada partilharei convosco algumas das melhores experiências que vivi nos dois anos e meio que lá estudei.


Esta vista dá ao dormitório les horizons o seu nome. Da rua Bottecreux se avista o vale onde se ergue a grande cidade suíça de Genebra que contorna o lago Léman (à direita). Do outro lado do vale, em dias de melhores condições de clima, avista-se o monte Jura. Genebra encontra-se numa situação geográfica curiosa. A cidade encontra-se dentro da fronteira da Suíça, as duas montanhas que a contornam situam-se no entanto em território francês. Uma das minhas memórias mais entesouradas, é de ver o vale coberto e iluminado por fogo de artifício em várias ocasiões festivas ao longo do ano.