quinta-feira, 25 de junho de 2015

A festa das cores: Todas as coisas me são lícitas!



Antes de qualquer coisa eu quero dizer que sou o que menos tem moral criticar a festa das cores. Participei da festa, brinquei nos brinquedos, participei de um dos desafios, me diverti sem me preocupar. Foi realmente muito divertido!

Os fatos: o que rolou por lá


No dia 21 de Junho de 2015 para comemorar o encerramento do semestre letivo, foi realizada a festa das cores, promovida pelo grêmio estudantil.

Começou umas 14 horas. Cheguei com meus amigos, tinham uns carrinhos de controle remoto superpotentes (o UNASP comprou 6 pra gente brincar), vários brinquedos disponíveis como touro mecânico, futebol de sabão, escorregador inflável, bets/taco, futebol de campo, etc.

Às 15h começaram as gincanas e premiações no palco. Água à vontade (tava um calor danado) e picolés. Desafios do tipo tirar selfies em lugares remotos do campus, raspar o cabelo (eu fui o idiota que aceitou esse rs) e comer o maior número de bananas o possível.

15:30 Depois tiveram atividades de aeróbica com alongamento e exercícios típicos de aeróbica.

16h distribuíram o pó que fizeram com polvilho e corante

16h30 o pó foi jogado pro ar e a galera se sujou

16h40 Mensagem final de boas férias da diretoria, depois cada um juntou a sua sujeira e colocou na lixeira. 

17h acabou a festa.









As implicações.

O que pode ter causado o maior desconforto é a aparência de festa rave que alguns podem ter tido da festa das cores do UNASP. E algumas coisas deram essa impressão: Era uma festa à céu aberto com muita grama disponível, música eletrônica (Hillsong remix) e o pó colorido, que em si não tem nada de mal, mas que inevitavelmente lembra a Happy Holi, festa tradicional pagã indiana. As similaridades acabam aí.

Obviamente não teve, álcool, drogas, pegação nem nada disso.

As impressões

Achei muito corajoso tanto por parte do grêmio quanto da diretoria em promover a festa, mesmo com o possível escândalo que poderia causar. 

Nada do que aconteceu lá foi uma quebra de mandamento. O problema, como quase sempre, não está tanto no que se fez, mas como as pessoas enxergam isso, tanto os de dentro como os de fora.

Um amigo meu que é capelão em uma escola adventista contou que uns três alunos dele, não adventistas, vieram perguntar como poderiam fazer para estudar lá. Ele perguntou "por quê"? Eles disseram: "bah professor, lá tem rave dentro da facul, imagina o quanto a gente não ia economizar de entrada em festa se a gente estudasse lá?

Fico imaginando o que esses meninos sentiriam e pensariam ao entrar na “rave” adventista. Será que eles iam perceber que é possível se divertir sem drogas ou será que eles achariam a festa chata? Teriam eles as vidas transformadas ao longo do ano ou estariam buscando uma contínua rave onde não tem?

Também impressiona a repercussão que isso dá de fora. Quantos adventistas ao ver um vídeo da festa não se escandalizaram e viram no UNASP a babilônia instaurada.

Pros alunos internos que participaram, quem viu na aeróbica uma oportunidade pra dançar se aproveitou (como fariam em qualquer social JA). De novo, isso é muito particular e incontrolável.

Opinião

Não! A alegria não é pecado! As cores em si não são pecado! Água não é pecado! Porém toda ação tem uma implicação que vai além do que nós gostaríamos. Foi divertido? Foi muito! Mas isso gera um custo tão alto de gente escandalizada, falatório e impressões erradas que eu me questiono se aqueles 30 segundos de pó pro alto compensam. Eu contrasto com a “festa dos solteiros” que aconteceu algumas semanas antes dessa. Foi tão divertida, tão simples, tão barata de se fazer: pipoca, conversas e brincadeiras. Foi muito divertido e não levantou polêmica alguma.

De novo eu repito: Eu sou o que menos tem moral pra falar qualquer coisa contra a festa das cores. É hipócrita e covarde condenar aquilo que eu tanto aproveitei. Mas refletindo no impacto que isso gerou, eu procuraria por alternativas menos polêmicas.

Princípio das Escrituras

A liberdade Cristã: 1 Coríntios 8:9-13
Contudo, tenham cuidado para que o exercício da liberdade de vocês não se torne uma pedra de tropeço para os fracos. Pois, se alguém que tem a consciência fraca vir você que tem este conhecimento comer num templo de ídolos, não será induzido a comer do que foi sacrificado a ídolos? Assim, esse irmão fraco, por quem Cristo morreu, é destruído por causa do conhecimento que você tem. Quando você peca contra seus irmãos dessa maneira, ferindo a consciência fraca deles, peca contra Cristo. Portanto, se aquilo que eu como leva o meu irmão a pecar, nunca mais comerei carne, para não fazer meu irmão tropeçar.

Esse princípio de não escandalizar os fracos na fé com a aparência pagã é muito difícil de ser medido, mas é inegável que foi exatamente isso que aconteceu domingo. Muita gente viu não uma festa ingênua e inocente, mas lembraram dos festivais de música eletrônica. Outros tantos associaram à Holi indiana que celebra a devoção hindu.

Você pode argumentar: “Ah, mas sempre alguém vai se escandalizar com alguma coisa”. Sim é fato, mas é justamente sobre a aparência de paganismo que Paulo está abordando nesse trecho.Um cristão consciente sabe que carne é só carne. Cores são só cores. Mas se a carne é sacrificada a ídolos, se a festa é de origem pagã, isso vai fazer meu irmão tropeçar.

Conclusão:

Vivemos num mundo complexo e lidamos com questões delicadas. Nós temos a liberdade que Cristo nos dá pra fazermos o que bem entendermos. Mas ela deve ser exercida com cautela. Não podemos achar que tudo que fazemos é destituído de implicações e significado. É um pouco egoísta pensar assim. Mas não vou ficar atirando pedras em quem organizou. São todos meus amigos e sei que nenhum deles tinha o objetivo de escandalizar ninguém. Cada experiência é uma oportunidade de reflexão. Não sei se eles fariam o pó colorido novamente, se consideram que valeu a pena ou não. Se sabiam dessa origem da festa. 

Mas eu evitaria essas coisas que causaram maior escândalo, pois a diversão não estava limitada a elas e se divertir não é pecado!


A festa foi muito divertida!

"Há pessoas de imaginação doentia, para quem a religião é um tirano, governando-as como com vara de ferro. Essas pessoas estão continuamente lamentando sua depravação, e gemendo por um suposto mal. Consideram toda recreação ou diversão pecado, e pensam que a mente deve estar constantemente trabalhando no mesmo grau de severa tensão. Isto é extremismo." 

Testemunhos Sel, Vol 1, Pag 178

Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova.Romanos 14:22