quinta-feira, 21 de maio de 2015

Cristo, o Feminista




Semana passada minha prima postou a imagem acima que diz o seguinte:                    

Um teste simples pra saber se você é feminista:
1-Você concorda que mulheres devem receber o mesmo valor que homens para realizar o mesmo trabalho.
2- Concorda que mulheres tem o direito de votar e serem votadas 
3- Você concorda que mulheres devem ser as únicas responsáveis pela escolha da profissão, e que essa decisão não pode ser imposta pelo Estado pela escola nem pela família  
4- Você concorda que mulheres devem receber a mesma educação escolar que os homens 
5- Você concorda que cuidar das crianças seja uma obrigação de ambos os pais 
6- Você concorda que mulheres devem ter autonomia para gerir seu dinheiro e seus bens 
7- Você concorda que mulheres devem escolher se, e quando se tornarão mães 
8- Você concorda que uma mulher não pode sofrer violência física ou psicológica por se recusar a fazer sexo ou a obedecer ao pai ou marido 
9- Você concorda que atividades domésticas são de responsabilidade dos moradores da casa sejam eles homens ou mulheres  
10- Você concorda que mulheres não podem ser espancadas ou mortas por não quererem continuar em um relacionamento afetivo

E eu pensei: Bom, se ser feminista é somente isso então podemos dizer que sim, Cristo foi um feminista. E vários episódios vieram em minha mente:                         
                                                                                      

Marta e Maria

Quando iam de caminho, entrou ele em uma aldeia; e uma mulher chamada Marta hospedou-o. Esta tinha uma irmã chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, ouvia o seu ensino. Marta, porém, andava preocupada com muito serviço; e chegando-se, disse: Senhor, a ti não se te dá que minha irmã me tenha deixado só a servir? Manda-lhe, pois, que me ajude.  Mas respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e te ocupas com muitas coisas. Entretanto poucas são necessárias, ou antes uma só. Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada.» (Lucas 10:38-42)

O texto diz que Maria estava ouvindo o seu ensino. Na mente de Marta, apreender, era coisa para homens. Mas Maria estava lá. Ouvindo e aprendendo o seu ensino. Marta reclamou que Maria “tinha” que estar lá no serviço. Mas Jesus elogia Maria que escolheu a melhor parte. Jesus se opões à opressão da sociedade (que supunha que mulher só devia ficar servindo) e à opressão familiar (de sua irmã que tentava lhe impor o que fazer). 
Ele valorizou a escolha que era de Maria e só dela.

Uma “pecadora” unge a Jesus


Convidado por um dos fariseus para jantar, Jesus foi à casa dele e reclinou-se à mesa. Ao saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu, certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com perfume, e se colocou atrás de Jesus, a seus pés. Chorando, começou a molhar-lhe os pés com as suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume. Ao ver isso, o fariseu que o havia convidado disse a si mesmo: "Se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: uma ‘pecadora’ ". Respondeu-lhe Jesus: "Simão, tenho algo a lhe dizer". "Dize, Mestre", disse ele. "Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta. Nenhum dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais? " Simão respondeu: "Suponho que aquele a quem foi perdoada a dívida maior". "Você julgou bem", disse Jesus. Em seguida, virou-se para a mulher e disse a Simão: "Vê esta mulher? Entrei em sua casa, mas você não me deu água para lavar os pés; ela, porém, molhou os meus pés com as suas lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Você não me saudou com um beijo, mas esta mulher, desde que entrei aqui, não parou de beijar os meus pés. Você não ungiu a minha cabeça com óleo, mas ela derramou perfume nos meus pés. Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados, pelo que ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama". Então Jesus disse a ela: "Seus pecados estão perdoados". Os outros convidados começaram a perguntar: "Quem é este que até perdoa pecados? " Jesus disse à mulher: "Sua fé a salvou; vá em paz". 
Lucas 7:36-50

Nesse episódio Jesus contrastou a hospitalidade do fariseu com a da "pecadora". Ele não eximiu o fariseu de sua responsabilidade, antes cobrou dele dizendo que a indigna pecadora estava fazendo o que ele, por ser o anfitrião, deveria ter feito. Humilhou o exaltado, exaltou a humilhada.

Em relação à maternidade, naquela sociedade em que Cristo viveu, não havia desgraça maior para uma mulher do que não ter filhos. Não ter filhos não era o desejo de nenhuma mulher. Isso nós extraímos das expressões de alegria tanto de Ana quanto de Maria quando recebem a notícia que serão mães como vemos em Lucas 1.

Eu poderia estender aqui os inúmeros relatos de ações de Jesus em defesa dos direitos das mulheres. Vemos Jesus conversando com uma samaritana em João 4 (algo impensável para aquela sociedade). Vemos Jesus defendendo uma mulher surpreendida em adultério (acusada sozinha, sem o adúltero) em João 8. Vemos Jesus exaltando a oferta da viúva pobre em Lucas 21. E até em sua morte, quando pendia na cruz, mulheres estavam com ele, corajosas, como poucos dos discípulos. E ao ressuscitar foram elas as primeiras a receber as boas novas.

A Bíblia dá um valor exaltado e espiritual às mulheres. Lemos em Gênesis 2 que Deus fez uma “auxiliadora” para Adão. Isso muitas vezes é interpretado como uma função menor, de serviço e submissão das mulheres. Mas em realidade, na cultura oriental onde o relato foi escrito, quem auxilia está numa condição superior àquele que precisa de auxílio. E essa palavra auxiliadora é a mesma que Deus aplica a si mesmo ao longo de toda a Bíblia como auxiliador de seu povo. A função auxiliadora da mulher, portando, é divina.

Eva foi feita de uma costela tirada do lado de Adão, significando que ela não o deveria dominar, como a cabeça, nem ser pisada sob seus pés como se fosse inferior, mas estar a seu lado como sua igual, e ser amada e protegida por ele. Como parte do homem, osso de seus ossos, e carne de sua carne, era ela o seu segundo eu, mostrando isto a íntima união e apego afetivo que deveria existir nesta relação,

De fato, Cristo defendeu o direito das mulheres. Esse não era seu objetivo principal e sua agenda. A missão dele era maior do que exaltar um gênero ou outro. Ele veio para salvar. Mas enquanto esteve aqui, corrigiu abusos, denunciou a hipocrisia, defendeu os mais fracos.

O que vem a mente quando se ouve a palavra "feminista"

Se ser feminista fosse somente concordar com essas afirmações, então sim, eu sou um feminista. Mas a minha impressão é que se dizer feminista hoje implica em mais do que isso. Nós como crentes devemos seguir o exemplo de Jesus. Não buscando perpetuar a desigualdade que veio com a queda, mas buscando à igualdade que havia no Éden e antecipando assim um pouco da igualdade restaurada que teremos no céu.