terça-feira, 14 de abril de 2015

Uma modelo de missionária

Por Giuliana Verano






















Missão é 50% vontade e decisão própria e 100% chamado de Deus. Decidi vir porque senti mais do que nunca Deus me chamando para trabalhar pra Ele. Desde muito nova meu sonho era ser missionária, e agora estou realizando um sonho de criança! Encontrei essa oportunidade pelo site AdventistVolunteers.

Sou professora da Escola Adventista de Laura, nas ilhas Marshal, e ensino alunos da 5ª,6ª,7ª e 8ª série. Eu não escolhi ser professora nem trabalhar nas Ilhas Marshall, foi o lugar que me escolheu... Deus na verdade. Eu coloquei meu nome para vários países, para trabalhar em diversas coisas, e a ultima opção sempre foi Ilhas Marshall, e foi nessa que fui chamada. Confesso que fiquei triste quando soube que me escolheram pra vir pra cá, pra mim era o pior lugar! Não estava com o “espírito” de missão. Entretanto hoje eu vejo que esse lugar foi escolhido por Jesus especialmente pra mim, eu amo aqui.


Eu senti muito o choque cultura. Demais! Como sinto falta do Brasil. É tudo muito diferente. Vestimenta, comida, tradições é tudo ao contrário do que eu já vi na vida! Não foi um choque negativo. Aqui é uma surpresa constante mas me diverti em cada detalhe estranho que conheci e ainda conheço.


Tenho várias experiências marcantes! Que já até posso escrever um livro. Porém a última experiência que eu tive não foi com crianças, e também não foi algo grandioso, mas aprendi e refleti tanto! Semana passada estava no feriado do Spring Break, e no sábado de noite meu amigo me perguntou se eu não queria ver as estrelas no telhado do ginásio. O céu aqui é maravilhoso, cheio de estrelas cadentes, e sem hesitar disse que já estava trocando de roupa para poder subir. Fomos em 3 amigos e eu. Caminhamos até a parte de trás do ginásio, então vi que não tinha nenhuma escada e o telhado tinha no mínimo 20 metros de altura. Foi nesse momento que eu lembrei que morro de medo de altura. Achei impossível subir, por causa do medo e porque era difícil mesmo! Para ver o céu, tinha que escalar o muro, me equilibrar nele, pular do muro para um telhado, e desse telhado escalar em outro telhado mais acima. Demorei 20 minutos para escalar o muro de medo, e em cima do muro minhas pernas começaram a tremer, mas eu não tinha mais pra onde ir! Tinha que continuar, mas não tinha nenhuma coragem. Fiquei desesperada. Meu amigo que já estava no telhado disse que era pra eu pular, pois eu não iria cair. Eu tentei, mas não tive uma ponta de coragem. Ele me ofereceu ajuda, eu recusei.  Não conseguia me mexer de tanto medo. Ele me ofereceu ajuda de novo, e dessa vez eu aceitei. Pulei e com os braços ele me puxou; foi tão fácil! Estava tão confiante em mim e no meu amigo que pulei para o outro telhado mais alto e dessa vez sozinha. Toda ralada, e já com a perna machucada deitei no telhado. Que vista, que paz! Como valeu a pena!


Aula de inglês na praia! (e eu muito mais animada que todos os meus alunos juntos)

Todos nós somos assim com Jesus também. Ele está sempre nos incentivando a enfrentar nossos medos e dificuldade, Ele acredita que vamos conseguir, e Ele está olhando cada passo que vamos dar, para estarmos seguros. E se o medo for muito grande, Ele ainda oferece sua mão para nos ajudar, mas temos que aceitar primeiro. Aceitar com fé que estaremos seguros e se entregar nos planos dEle. Não sabemos o que nos espera, como será o céu. Será que é tudo isso mesmo? Vale a pena me arriscar e seguir a Jesus?  Quando experimentamos pular nos braços de Jesus estamos conhecendo-O.  Aprendemos a confiar e ter a certeza de segurança, que nos próximos obstáculos saberemos lidar melhor, mesmo com medo. E quando você chega no lugar que Jesus te prometeu, que alegria! Trabalhar para Cristo é assim: o trabalho é árduo, você vai enfrentar seus piores medos e limites, mas você tem que continuar, porque Ele prometeu um céu maravilhoso. Tenha fé, coragem, confie e se jogue nos braços de Cristo, porque realmente... O céu é maravilhoso.


Como missionária aprendi que meus “limites” se estendem.  O conceito sobre paciência, compreensão e respeito muda. Deus é meu único companheiro, amigo e protetor. Problemas que eu não queria enfrentar no Brasil, durante a missão eu tenho que enfrentar o mesmo problema de imediato e mais uns 10 de bônus. Aprendi a ser dependente de Deus, admira-Lo e temer do Seu grande poder. Me reconstruí pelos trancos que as experiências dão, mas me torno aos poucos a adulta que quero ser, e o principal, a mulher que Deus quer que eu seja.