quinta-feira, 12 de março de 2015

Cuidado boquinha com o que fala


Por Gabriel Stein de Servi

O ditado é conhecido, “faço o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Para o estudante de teologia, futuro pastor, tal expressão popular não se limita à  apenas mais uma entre as várias fixadas na memória. Pelo contrário, diariamente se manifesta diante de atitudes e comportamentos que não condizem com o cristianismo ideal. Essa característica tende a aumentar cada vez mais, a medida que a exposição e a cobrança se tornarem mais recorrentes. Não se vive apenas de Bíblia aberta e oratória bem aplicada. Mas de um exemplo vivo aberto e aplicações bem praticadas.


Tentando aproximar o primeiro parágrafo com a realidade do seminário de teologia do Unasp-EC, podem ser listados alguns aspectos peculiares. Por exemplo: como já dizia  Paulo, de tudo, o que mais se destaca é o amor (1 Cor 13:13). Sim, o amor é o tema valorizado em todas as meditações, reflexões, devocionais e hipóteses de métodos eficientes de solução para todos os problemas da igreja e do mundo. A única diferença é que muitas vezes não é o tema das conversas de roda, de mesa e de ‘amigos’. 

No momento de especulação a respeito de teorias teológicas e ministérios ativos, o amor é indiscultivelmente o elemento mais presente nos ambientes. Mas quando é necessário ajudar um colega que está carente (dificuldades acadêmicas, financeiras, familiares, espirituais), o ato de amor fica como responsabilidade para o próximo e não para si mesmo.  Afinal o tempo é curto, e nessa altura do campeonato cada um luta pelo que é seu.

A moderação e modéstia de fato chamam atenção por enaltecer um caráter louvável. Contudo, existem aqueles que, entre colegas e irmãos, gostam de ostentar feitos e fatos que os colocam nas mais altas posições de status.  Isso desde a escolha dos amigos, dos círculos, das gamas fechadas e com idiossincrasias em comum. Se agrega valor ao grupo, bom, senão, só mais um. Não é de se estranhar a falta de parceria nos ministros já consolidados. Se às vezes, ainda no colégio, o orgulho domina os espaços.

E o que falar, então, sobre o juízo de conduta?  Em Romanos está escrito que se auto condena quem aos outros julga (Rom. 2:1). É o cabelo de um, o tênis do outro, o modo de se vestir, e a quantidade de comida no almoço.  Se bebe líquido na refeição, não leva a vida a sério.  Se fala com mulheres, tem sotaque, perde aula, se não presta atenção em todas as capelas e ainda falta…
Chega.

(A partir daqui peço licença para concluir na 1ª pessoa).

Não me recordo de ver algum pai estudando com o próprio filho. Vivendo a mesma vida, enfrentando os mesmos desafios. Cada um trilha o seu próprio caminho. E neste colégio vive o tempo de consolidar seu próprio caráter. Com colegas e não inimigos, com amigos e não adversários. Existe um Deus que tudo vê, e tudo sabe nos mínimos detalhes. E se não quiser nenhum dos candidatos a ministros da verdade, assim o fará. A nós cabe a humildade de não falarmos mais do que podemos provar.  E mais do que os argumentos, nossa vida é a testemunha ocular.  Enquanto isso, não nos esqueçamos, que mesmo distantes, somos um grupo de irmãos. Em Cristo, como um corpo unido, juntos cumpriremos a missão. E se alguém, por via das dúvidas, ainda estiver desavisado, não se esqueça:  neste lugar, aqui estamos, em resposta ao mesmo chamado.