quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Falácias e a ordenação da mulher

Que se usem argumentos corretos
Algumas pessoas são extremamente sensíveis. Isso se manifesta claramente quando assistem a um filme. São as pessoas que choram, que gritam, que usam linguagem corporal e facial para expressar seu intenso envolvimento com o filme a que estão assistindo. O mais engraçado é perceber que em alguns momentos essas pessoas parecem achar que conseguirão influenciar de alguma forma o destino da história desenvolvida diante delas. Você ouvirá em alguns momentos: “Não faça isso! Como você é burro!” “Não entre aí, porque o homem que quer lhe matar está dentro desse quarto!” “Rápido! Rápido! O tempo está acabando!” Todos esses clamores do espectador basicamente se traduzem em: “Se você soubesse o que eu sei, sua decisão seria diferente.” Essa situação não é encontrada apenas em cinéfilos, mas em situações do dia a dia. Vemos alguém tomando uma decisão que temos certeza de que seria diferente, caso a pessoa tivesse as informações ou a experiência que nós temos.

O que isso tem a ver com a discussão atual a respeito da ordenação de mulheres? Muita coisa! Com este artigo, pretendo mostrar que se os membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia soubessem de algumas nuances e falácias relacionadas com o debate da ordenação de mulheres, provavelmente a opinião deles seria diferente. Quem sabe não teríamos tamanha polarização entre leigos, teólogos e administradores da igreja e, certamente, não encontraríamos tanta má utilização de argumentos tanto de um lado quanto do outro. Opiniões seriam mais respeitadas e argumentos seriam mais bem desenvolvidos.

É importante primeiro entender com o que estamos lidando ao falar sobre a ordenação de mulheres e a Conferência de 2015. A discussão atual não é se mulheres podem atuar como pastoras (esse cargo já é reconhecido pela IASD), nem se mulheres podem ser ordenadas (elas já podem ser ordenadas diaconisas e, em alguns casos, anciãs). O debate é especificamente sobre a ordenação da mulher ao ministério pastoral. O motivo pelo qual estou abordando as falácias utilizadas no debate sobre ordenação de mulheres (em geral) é porque alguns advogam que a ordenação da mulher, tanto como diaconisa quanto anciã, e a possibilidade de ser ordenada pastora, deve ser oficialmente abolida.