segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Palavras Cheirosas




“Porque para Deus somos um aroma de Cristo [...] para uns, na verdade, cheiro de morte para morte; mas para outros cheiro de vida para vida” (2Cor.2:15,16)


A igreja hoje tem se deparado com a necessidade se posicionar diante de questões bastante desafiadoras. Um dos posicionamentos difíceis é, por exemplo: como defender os princípios bíblicos da família numa sociedade que além de promover a união homoafetiva, considera absurdo qualquer discurso contra essa prática? Muitos pastores se veem numa encruzilhada: ser politicamente correto ou pregar a palavra como ela é? A atitude que se espera de um ministro do evangelho é, sem sombra de dúvidas, pregar a verdade acima de tudo. Em minha particular observação, esse não tem sido nosso problema como adventistas. Mas, tenho percebido com tristeza que nosso zelo pela verdade não tem sido bem recebido pelos corações que dela necessitam. Talvez nossas palavras estejam “fedendo”.



Diante de alguns discursos “mal cheirosos” (muitas vezes carregado de preconceitos e condenação, destituído de simpatia a amor, até mesmo dito em tons de desprezo, gracejos e ridicularização) os que recebem esta mensagem são tomados por sentimentos de mágoa, rejeição, indiferença e oposição. Grande parte destes são confirmados no erro e se tornam mais obstinados contra a verdade. Qual deve então ser a maneira correta e eficaz de atrair essas pessoas para a beleza de Cristo e Sua justiça?

Nos testemunhos para ministros Ellen G. White pontua várias orientações sobre como o pastor deve trabalhar com as pessoas. A partir da página 219, falando sobre a maneira de expressão e linguagem, ela nos pede para sermos cuidadosos na maneira em que usamos as palavras para não lançar ridículo sobre a nossa posição ou mesmo dos descrentes. Não devemos permitir que seja pronunciada qualquer coisa que cheire a injúria, ou seja, que ofenda a dignidade de alguém. Pois Cristo, o príncipe da paz, não tem parte nisso. Além disso, Ela afirma que “O espírito Santo não trabalha com homens que gostem de ser mordazes e críticos [...] Nisto Deus é desonrado” (p. 248).

 “O espírito Santo não trabalha com homens que gostem de ser mordazes e críticos [...] Nisto Deus é desonrado”
Devemos trabalhar como Cristo trabalhou: para cativar, para edificar e não para destruir. Quando manifestamos uma atitude de crítica, condenação e arrogância, usando palavras ásperas e severas, demonstramos que estamos desligados de Deus, assumindo os atributos de Satanás, desanimando e tirando a esperança daqueles com quem entramos em contato. Precisamos aprender muito mais da mansidão e humildade de Cristo para podermos ser “um cheiro de vida para a vida”.
“Os que são postos em contato com as almas por quem Cristo morreu, devem dar aos homens a estima que Deus lhes dedicou, e considerá-los preciosos. Muitos, porém, tem tratado a aquisição do sangue de Cristo de maneira rude, em harmonia com a disposição dos homens e não de acordo com a mente e o espírito de Cristo. [...] Verão que desviaram almas preciosas do caminho certo ao lidarem com elas de maneira impiedosa” (Testemunhos para Ministros, p.225)
A mensageira do Senhor apela para que haja uma mudança no coração e no caráter dos pastores, pois muitos se deixam levar por suas inclinações naturais, temperamento e personalidade.  “Deve haver mais de Cristo, e menos de si mesmo. Devemos ser representantes do nosso Senhor” (TM, 245).

Os que estão vivendo em qualquer tipo de situação contrária aos planos de Deus “são escravos de seus próprios impulsos e paixões, que estão sob o domínio do maligno”. Mas, Deus lhes oferece a liberdade. “A obediência a Deus é liberdade da escravidão do pecado, livramento das paixões e impulsos humanos”.  A única atitude de Cristo é  apresentar  a verdade em contraste com o erro, apresentando também o resultado certo de aceitar a verdade, a experiência que sempre segue à obediência voluntária: paz e descanso (TM,247).

O que devemos fazer?

Devemos por de lado as observações pessoais e deixar que a verdade da  Santa palavra de Deus revele por si só a transgressão e o pecado, manifestando o poder santificador da verdade no coração humano (TM, 249). Enquanto não estivermos vazios de nossas opiniões e sentimentos não estaremos aptos a representar Cristo para o pecador.

Nosso constante olhar deve estar sobre Cristo e seu caráter. Temos nos evangelhos vários exemplos de sua conduta modelo de amor e aceitação. Eu penso que nenhum de seus encontros se encaixa melhor a esse tema que o seu encontro com a mulher adúltera, descrito em João 8:3-11. O mundo não tinha senão desprezo e zombaria para dirigir àquela mulher, mas Jesus proferiu apenas palavras de conforto e esperança, ainda que não ignorasse seu pecado e sua culpa.


    


   Sobre essa cena do ministério de Cristo Ellen G. White faz uma forte declaração: “Os que são mais prontos a acusar a outros, e zelosos em os levar à justiça, são frequentemente em sua própria vida mais culpados que eles. Os homens aborrecem o pecador, ao passo que amam o pecado. Cristo aborrece o pecado, mas ama o pecador” (DTN, 446).
“Os que são mais prontos a acusar a outros, e zelosos em os levar à justiça, são frequentemente em sua própria vida mais culpados que eles..."
Diante disso, tomei votos pessoais para que em meu ministério jamais minhas palavras venham ofender ou provocar sentimentos de vergonha ou ridículo nas pessoas que precisam da graça de Cristo. Que haja em nós “o mesmo sentimento que houve também em Cristo”!