sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Mulheres na Teologia: Sentimentos de uma vestibulanda





O Grande Dia

Chegou o grande dia! na verdade o primeiro de outros Grandes Dias que viriam. Sou natural de São Paulo ­ Capital, então minha primeira fase do vestibular de teologia para a turma de 2013 foi no UNASP ­ Campus I localizado na Estrada de Itapecerica, zona sul da cidade.

Muita ansiedade! 


Esse era um dia decisivo, muitas coisas em minha vida estavam em jogo com essa decisão e no dia do vestibular era como se estivesse colocando o pé em campo no primeiro tempo desse jogo. Me considero uma pessoa um “pouco” emotiva, e ao fazer minha oração antes de começar a prova, entreguei nas mãos de Deus. Pedi a guia dEle e simplesmente entreguei: “Senhor, faça Tua vontade” já com lágrimas nos olhos. Precisava de calma e concentração.

Algumas horas de prova se passaram e logo mais, prova entregue. Apesar de querer esquecê­-los, devido o medo, contei os dias para a publicação dos aprovados no site do UNASP. O resultado saiu à noite e, não sei porquê, mas havia uma intuição de que eu seria aprovada. Ver o resultado só constatou que meu medo era de fato real: Uma mulher fazendo teologia! Isso era quebrar muitos paradigmas, os meus paradigmas. Discutidos com Deus durante tanto tempo e não sabia se tinha forças para isso. Minha mãe até perguntou: “você não está feliz?“ Como quem esperasse que eu desse pulos de alegria pelo apartamento. 

O Grande Dia ­ parte 2

No dia seguinte, abri minha caixa de e­mails e lá uma nova mensagem de uma amiga de infância dizendo que eu passei. As poucas pessoas com quem dividi meu chamado e minha decisão estavam torcendo e orando por mim! Segunda fase: O outro “grande dia”. Saí em um domingo da cidade de SP rumo a Hortolândia onde mora uma outra amiga que tem me apoiado com a minha decisão. 

Hortolândia fica apenas a cerca de meia hora do UNASP campus Engenheiro Coelho, e é lá que seria a segunda fase do vestibular. A prova seria na 2ª feira às 9h. Nesse dia também aconteceria a entrevista por volta das 13h. A prova da segunda fase é específica e aborda todas as doutrinas do livro Nisto Cremos: ­ As 28 doutrinas da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Eu havia estudado bastante. Até fiz um plano de estudo para que na semana anterior à prova da segunda fase eu tivesse conseguido revisar todo o conteúdo.

Haviam pelo menos mais umas três ou quatro salas para os candidatos desta fase. Encontrei a minha e me senti, de fato, uma “estranha no ninho”. Olhares surpresos em minha direção e a frase “uma menina aqui?!” parecia estar estampada em suas testas. Enfrentar isso parecia ser simples, mas não era! Nunca gostei muito de estar em evidência e por isso este momento exigiu de mim um esforço grande. Queria mostrar naturalidade, confiança e segurança. Não estou certa se consegui!

O Corredor da morte 

Imagine a cena: um corredor de faculdade medindo cerca de 10m de comprimento. Pessoas do sexo masculino enfileiradas nas duas laterais ao lado de cada porta. Uma jovem procurando sua sala de entrevista. Coração disparado e de novo todos olhando pra mim. Rapidamente (o mais rápido que pude!) encontrei minha fila e aguardei. Não conseguia falar, não consegui puxar conversa e nem dar brecha pra algum ‘pastor’ conversar comigo. Afinal o assunto seria: ”O quevc está fazendo aqui?! Você quer ser pastora? Mas não pode! O que você quer afinal?” E minha resposta seria: “Não sei, pergunte a Deus” Venci o que me parecia um corredor da “morte” e finalmente a hora da minha entrevista. Quem realiza as entrevistas são os professores do curso de Teologia e quem me entrevistou foi o profº Natanael que atualmente ministra a matéria de Evangelismo em minha turma. Ele me tratou muito bem e eu estava prevendo que ele faria as mesmas perguntas que citei anteriormente. Mas, diferente do que pensei, ele não as fez. Me tratou como uma aluna comum, não uma ET no curso de teologia, como eu mesma estava me sentindo. Isso foi muito bom, me senti acolhida. Ainda hoje é assim, mulheres são aceitas no curso de Teologia e bem vindas, pelo menos desde quando entrei em 2013 sinto isso por parte dos professores. O que, para mim, é um fator (dentre outros) motivador. 

Resultado: passei também na segunda fase e hoje estou no 2º ano de teologia. Tem sido uma experiência desafiadora, emocionante, e cheia de surpresas. Estar nas mãos de Deus é uma aventura e viver pela fé nem sempre é fácil. Apesar de quase tudo que escrevi parecer ser um pouco estressante ou amedrontador para você, menina ou mulher que está se preparando para fazer a primeira fase do vestibular de teologia do UNASP, quero deixar claro algo de muito valor para mim: Todos esses detalhes, e outros que não mencionei, me fizeram ser uma pessoa mais forte. Foram dificuldades emocionais, de perigo, financeiras mas em nenhuma delas Deus me abandonou. Aliás, Ele faz sempre mais do que imaginei. Ele tem me sustentado e me dado paz para prosseguir. Alguns momentos as nuvens ameaçam, mas elas não ficam durante muito tempo. Às vezes as tempestades caem mas são rápidas e o e logo vem o sol. 

Confie: "Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos
ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em
Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!" Efésios 3:20­21
Que seu chamado seja para a honra e glória dEle. Entregue­se e vá!

"Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá­la até
ao Dia de Cristo Jesus." Filipenses 1:6