terça-feira, 5 de agosto de 2014

Uau! Como foi o seu chamado?!



Basta a inscrição no vestibular para amigos (e até ilustres desconhecidos) fazerem a pergunta, geralmente por falta de assunto, como quem diz nas entrelinhas: "não tenho nada para falar sobre isso, então aqui vai a pergunta coringa". Seria irritante, não fosse a beleza do assunto. Repetir diversas vezes o mesmo discurso pode ser cansativo em muitas situações, mas neste não é. Trata-se do próprio Deus falando com você de uma forma especial. Não é qualquer coisa e não pode ser respondido como tal.

Há histórias lindas de conversão, de como a ovelha pecadora ouviu o chamado de seu Pastor, foi resgatada do buraco e decidiu servi-Lo. Outras em que o indivíduo pediu um sinal e recebeu uma resposta tão clara quanto a água de uma nascente. Não obedecer até parece que deixa de ser uma opção em casos assim.
Mas meu chamado não passou nem perto dos clássicos, e por isso a famosa pergunta costumava ser incômoda. Eu não tenho uma super história para contar; não tenho milagres evidentes; nada de pontos da virada. O que tive foi a vida normal de um adventista de berço que nunca saiu da igreja, sempre participativo nas atividades religiosas, mas que nunca cogitou o ministério como profissão.
O chamado aconteceu ao longo do tempo, simplesmente. Por ser filho de pastor, desde pequeno ouvia coisas do tipo "ah esse vai ser pastor"; a cada oraçãozinha na igreja, "olha... tem o jeito do pai".
- Lucas, o que você quer ser quando crescer?
- Piloto de avião - era a resposta.
- E que tal pastor, igual o papai?
Dava de ombros e deixava o "manipulador infantil" sem resposta como quem diz, "não, obrigado".

Lucas e família
Ao contrário do tempo, nenhuma nova fase da vida passou sem que o velho incentivo voltasse: "você tem cara de pastor!" Se fosse verdade que a voz do povo é a voz de Deus, ninguém teria dialogado mais com Ele na história do mundo que eu, perdendo talvez só para os eternos Enoque, Moisés e Elias.
Perseguindo meus sonhos de grandeza e importância, fiz relações internacionais sonhando com a diplomacia. Queria representar o País no exterior; aquele belo salário; o status e glamour da profissão; ser admirado por família e amigos. Grandes sonhos para um candidato a cidadão do mundo e a estrangeiro no céu.
Quando percebi que nada estava saindo como havia planejado, tive que repensar. "Como conhecer a vontade de Deus" é um livrinho de bolso pelo qual Morris Venden me abriu os olhos para algo interessante: quem enxerga nitidamente seus dons não é você, mas aqueles que te veem. Posso achar que canto bem, mas se a audiência tiver uma opinião diferente, preciso treinar mais ou parar de insistir em causar dores de cabeça nas pessoas.
Todo o incentivo que por tantos anos da vida recebi para o ministério pareciam começar a fazer sentido. Foi quando, providencialmente, meu irmão mais velho, advogado, deu o xeque-mate com um e-mail recheado de argumentos que mostravam, por a + b, que eu estava fugindo do que Deus sonhara para mim. Sempre fui extremamente racional em minhas decisões e isto estava me impedindo de fazer uma escolha que exigia também o coração. Pela primeira vez, finalmente, considerei a ideia. Prestei o vestibular seguinte e cheguei ao UNASP com a convicção de ter estado bem acompanhado e direcionado ao longo de tantos anos de acontecimentos simples e comuns.
E foi assim que fui chamado. Nada chocante, nada avassalador, apenas a linda paciência de Deus trabalhando num coração cego. Nas palavras de meu pai, pr. Josemi Azevedo, não vou mais representar um país, mas o Reino que governa o universo. Em todos os aspectos, pastores são diplomatas a falar em nome do que há de mais impressivo, imenso e poderoso em todo o cosmos. Não recebem o mesmo salário, prestígio ou admiração dos homens, mas isto não incomodou o próprio Deus encarnado que ensinou que servir é o grande prêmio.
"Venha o Teu reino." Mt. 6:10a