quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Jerusalém, Jerusalém: Reflexões sobre um conflito


Por Keldie Paroschi

Mar da Galiléia
Participar da escavação em Laquis, em Israel, contribuiu muito para meu conhecimento da Bíblia e para valorizá-la ainda mais como um livro histórico relatando as ações de Deus com Seu povo. Mas foram nos passeios que fazíamos aos finais de semanas que eu realmente pude conhecer a Deus um pouco melhor, e pude ter experiências maravilhosas e aprender lições valiosas sobre Deus. Hoje quero partilhar algumas dessas reflexões com vocês.



Cafarnaum
Nesses passeios de finais de semana, viajamos do norte ao sul do país; vimos cidades modernas e cidades abandonadas; natureza e fortalezas. Em cada lugar, o Dr. Hasel, além de explicar a importância do local do ponto de vista arqueológico, fazia uma breve meditação, contribuindo para que a experiência se tornasse espiritualmente significativa para nós. Conhecer a Galileia, região em que Jesus passou grande parte de Seu ministério, me fez entender um pouco melhor o que significa ter comunhão com Deus. É uma região bonita, verde, calma. O monte das bem aventuranças, o mar da Galileia, Cafarnaum, são todos lugares pertos da natureza onde nada pudesse interferir entre a mensagem de Cristo e os ouvintes. Mesmo quando em Jerusalém, Jesus levava Seus discípulos para o monte das Oliveiras, afastado do barulho e da comoção da cidade. E nós, quando procuramos comunhão com Deus, para onde vamos? É um momento particular e especial entre nós e Deus, ou nos deixamos ser distraídos por tudo ao redor?


Via dolorosa
Jerusalém é uma cidade incrível. Milhares de anos de história por si só já fazem dela um lugar muito especial para se visitar, mas além disso, é considerada o centro religioso do mundo para as três grandes religiões: judaísmo, cristianismo e islamismo. Apesar de toda a emoção de estar lá, a cidade me deixou muito triste e pensativa, por diversas razões. A Via Dolorosa, conhecida como o percurso que Cristo fez até a cruz, possui várias capelas católicas em cada local de alguma forma significativo: onde Jesus foi supostamente açoitado, onde Simão pegou a cruz para ajudá-Lo, etc. 

Ao final da Via Dolorosa, chegamos à Igreja do Santo Sepulcro, no local tradicionalmente conhecido como Gólgota e o túmulo de Cristo. A Igreja em si é muito impressionante e imponente, uma basílica do período das Cruzadas. Mas ao entrar, fiquei muito desapontada. Extremamente lotada, estava repleta de pessoas se ajoelhando e beijando os locais relevantes, acendendo velas, etc. A impressão que eu tive foi que os lugares em si eram tão importantes que o sacrifício de Jesus e seu significado era deixado de lado ou esquecido.


Igreja do santo sepulcro


A mesma impressão tive também no muro das lamentações. A única parte que restou do templo, judeus vão lá para orar pelo Messias. As orações, músicas e danças ao por-do-sol de cada sexta-feira é lindo de se ver: a alegria da chegada do sábado. Mas por outro lado, é como se literalmente estão olhando para um muro, e não conseguem enxergar o que está além: Cristo e Ele crucificado, a resposta às suas orações, cumprida dois mil anos atrás. A briga entre muçulmanos, judeus e cristãos por Jerusalém se resume a isso: estão todos lutando por um lugar, quando na verdade o Deus daquela cidade, o Deus do mundo, do jeito que Ele se revelou na Bíblia, passa desapercebido.


Getsemani
Repito as palavras que uma amiga minha disse na viagem: sou grata a Deus pela religião que tenho. Sim, Deus escolheu um pequeno povo numa pequena região para se revelar a nós, mas Ele disse quando estava aqui que chegaria o momento em que os verdadeiros adoradores adorariam a Deus em Espírito e em verdade (Jo 4:23). Ele nos revelou como podemos ser salvos e como devemos viver para levar a luz a outros, como podemos ter paz nas tribulações, alegria apesar das tristezas, e onde encontramos a verdadeira liberdade. Naquela sexta-feira, fui até o muro, me juntei às pessoas orando ali, e também fiz uma oração. Orei por todas aquelas pessoas sinceras em sua busca por Deus, e por todas aquelas que ainda não sabem o que significa ser livre em Deus, e ter a paz dEle no coração. Temos um Deus maravilhoso, e pude enxergar isso com novos olhos nessa viagem. É esse Deus que quero conhecer melhor, para melhor levá-Lo ao mundo.

Vista de Jerusalém

Esse é o Terceiro texto da Keldie.
O primeiro você pode ler aqui: Bogi - De Bogenhofen para o UNASP
E o segundo aqui: Experiências em Israel - Arqueologia e Escavações