segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Experiências em Israel - Arqueologia e Escavações





Em novembro do ano passado, encontrei o Dr. Michael Hasel, professor de arqueologia na Southern Adventist University,  num congresso teológico em Baltimore, nos Estados Unidos. Conversa vai, conversa vem, e ele me convida para participar como voluntária em uma escavação arqueológica em Israel em junho/julho deste ano. Seriam seis semanas mexendo com terra e conhecendo o país (apesar da viagem acabar antes que esperado, por causa da guerra). Foi para isso que eu me inscrevi, mas o que eu ganhei foi muito mais.


Primeiro dia de trabalho nas escavações




Logo da quarta expedição a Laquis
Estávamos escavando na cidade de Laquis, a segunda maior cidade em Judá nos tempos bíblicos. Não fomos os primeiros a escavar lá; três outras expedições já haviam passado anos trabalhando em Laquis. Mas, certamente é um trabalho a longo prazo: junho/julho de 2014 foi a primeira temporada de muitas. A escavação está sendo coordenada pela Southern Adventist University, liderada pelo Dr. Hasel, e pela Universidade Hebraica, de Jerusalém, com o Dr. Yosef Garfinkel. O principal objetivo da 4ª expedição em Laquis é procurar indícios que apoiam o texto bíblico, respondendo à pergunta: havia realmente um reino unificado, com cidades fortificadas, na época de Davi e Salomão?




Nossa semana de trabalho era de domingo a quinta-feira. Acordávamos as 4h da manhã, pegávamos o ônibus as 4:50, e, após o culto (vendo o nascer do sol), começávamos o trabalho. O dia começava cedo porque assim pudíamos escapar do sol e calor das horas da tarde. Às 13h já estávamos no ônibus de volta para o acampamento. Depois do almoço, tínhamos tempo livre até 16:30, quando começávamos a lavar os pedaços de cerâmica encontrados durante a manhã. Às 18h ouvíamos palestras de diversos temas relacionados à arqueologia, e, após a janta, a maioria já ia dormir.


A primeira pergunta que as pessoas fazem é: vocês realmente acharam alguma coisa? Eu também fui surpreendida pela resposta: sim, e muita! Como já mencionei, toda tarde ficávamos mais de uma hora só lavando os pedaços quebrados de cerâmica encontrados pela manhã. Eram dezenas de baldes, alguns com centenas de cacos, todos os dias! Embora a maioria fosse descartado depois, isso era importante para a datação da nossa área de trabalho. Não, eu não aprendi a datar cacos de cerâmica; somente com muito estudo e experiência se consegue isso. Mas é muito emocionante saber que você está mexendo em coisas que foram seguradas milhares de anos atrás pela última vez.


Além dos cacos de cerâmica, quando chegamos a um nível de destruição, encontramos também vários jarros e duas lâmpadas, intactos, ou quase intactos. Mas mais emocionante era quando alguém encontrava algum objeto especial. Todos paravam de trabalhar, e o Dr. Hasel nos explicava a importância daquele achado. Encontramos dois figurinos, duas alças de jarro com selos LMLK (“para o rei”), uma alça de jarro com selo pessoal de alguém e, o que deixou o Dr. Hasel ainda mais feliz, três selos soltos. Diz o Dr. Hasel que ele nunca encontrou tanta coisa importante em tão pouco tempo. Também na lista de achados estão: pesos de tear, pontas de flechas, muitos ossos de animais, até algumas conchas.
Shekel


O objeto mais interessante que eu mesma encontrei foi um peso de Shekel, uma bolinha de cerâmica usada para pesar dinheiro. Fora os objetos, haviam pedras formando paredes de casas ou de muros. No quadrado onde eu estava trabalhando, encontramos um pedaço do muro do pátio do palácio (o palácio já foi descoberto em outra expedição).




Companheiros de quadrado
Não posso deixar de mencionar as pessoas que conheci e os amigos que fiz. No grupo da Southern, além de alunos da faculdade, haviam alguns bolivianos e sul-africanos. Embora não trabalhassem na mesma área que nós, havia também israelenses (da Universidade Hebraica), coreanos e outro grupo de americanos. Nos intervalos, todos nós nos reuníamos para comermos juntos e vários de nós tivemos a oportunidade de testemunhar para eles. Era um grupo bem especial.




Três ou quatro pessoas trabalhavam em um quadrado de 4x4m. O que mais fazíamos era soltar a terra com uma picareta, encher baldes de terra e esvaziar a terra em outro lugar. No fim das três semanas, nosso quadrado estava com cerca de 1,70m de profundidade (façam as contas, qual o volume total de terra!). Ao final de cada dia estávamos tão cobertos em terra e poeira que, após lavar as mãos para o almoço, parecia que estávamos de luva branca. Até os pés ficavam empoeirados, apesar da meia e do tênis. Às vezes, o corpo estava tão dolorido de tanto trabalho que levantar da cama era a parte mais difícil do dia. Mas com certeza valeu muito a pena e eu faria tudo de novo. Fiz grandes amizades, aprendi a valorizar a importância da arqueologia bíblica e a Palavra de Deus se tornou mais viva e concreta para mim. Agradeço muito a Deus por ter tido esta oportunidade e por ter conhecido a Ele de uma forma tão especial.

(Para mais fotos, curta a página “Institute of Archeology at Southern Adventist University” no Facebook)



Jarra de cerâmica


Quadrado após duas semanas de trabalho