terça-feira, 29 de abril de 2014

Bogi - De Bogenhofen para o UNASP

Por Keldie Paroschi

Prédio símbolo de Bogenhofen, Áustria


É difícil explicar como fui parar em Bogenhofen sem contar como foi meu chamado para estudar teologia, mas posso resumir a história em uma frase: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR.” Isaías 55:8 não apenas mudou o rumo da minha vida profissional (e espiritual); mal sabia eu que os caminhos de Deus me levariam para uma minúscula aldeia na Áustria. E aqui está a primeira grande diferença entre o mundo UNASP e o mundo Bogi: em termos de tamanho e estrutura, o UNASP é escola de primeiro mundo. Mas é justo o fato de serem apenas 180 alunos no colégio inteiro, e que quase todos se conhecem, que faz de Bogi uma família.



Em relação à teologia, nesse último ano em que estive lá, éramos quase 50 teologandos – um recorde! Por serem poucos, o grupo se divide em duas classes: primeiro e segundo ano numa sala, terceiro e quarto na outra. As disciplinas se repetem a cada dois anos, num sistema rotativo. Há apenas cinco professores (e, ocasionalmente, um professor que vem de fora para dar uma matéria intensiva), mas são professores bons (Dr. Frank Hasel, Dr. Martin Pröbstle...). 

Dr. Martin Pröbstle lecionando em  Bogenhofen

O que eu apreciava bastante era a interação entre aluno e professor em sala de aula. Com uma classe menor, é sempre mais fácil abrir questões para se discutir e trabalhar juntos. E a vida de teologando se divide entre a sala de aula e a biblioteca, onde passávamos a maior parte do tempo lendo (uma média de 1500 páginas por trimestre, que é o equivalente a dez semanas) ou escrevendo trabalhos. O fato de tanto as salas de aula quanto a biblioteca ficarem no porão é um pouco deprimente, especialmente quando o sol está brilhando lá fora (o que é raridade). Mas os livros são boa companhia J.

Turma do primeiro ano de teologia de 2013
Embora o foco principal de Bogi seja o ensino médio, a vida no colégio não funcionaria sem os theos. No começo de cada ano letivo, há uma disputa entre os alunos do ensino médio para se inscreverem nos melhores youth groups, parecidos com o que seria pequenos grupos aqui no Brasil, liderados por três ou quatro theos (é um estágio gostoso de se fazer, mas também bastante exigente). Além dos estágios de teologia, são os theos também que ocupam várias funções no grêmio estudantil, cuja função é organizar os cultos todos os dias, organizar festas e eventos, liderar iniciativas missionárias, etc. Além disso, há também as cinco horas de trabalho por semana que todos são obrigados a fazer. Às vezes é tanta atividade, inclusive no campo de espiritualidade, que você tem que colocar prioridades, e não permitir que ninguém te deixe com consciência pesada por causa da sua escolha.


Também muito importante são os esportes. Os principais são vôlei e futebol, e às vezes também basquete, handebol, hóquei e baseball. Como é aberto a todos, eu até me aventurei a tentar jogar futebol de campo com os meninos. Os brasileiros que jogam são quase sempre os primeiros a serem escolhidos – tenho certeza que, se tivesse uma partida de futebol entre os teologandos do UNASP e os theos de Bogi, o UNASP seria vencedor. Futesal, então, eles nem veriam a bola, muito menos conseguiriam marcar um gol J.




Foi uma boa experiência estudar lá, e eu realmente pude aprender e crescer bastante. Como todo lugar, há pontos positivos e negativos. Fiz vários amigos, e vou guardar boas memórias, mas agora, estou feliz por estar no UNASP. E quanto ao futuro, está nas mãos de Deus.





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